Ainda... sempre é pouco.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiencias. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro.
domingo, 27 de novembro de 2011
Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?
(caio fernando abreu)
sábado, 29 de outubro de 2011
Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto." (Caio Fernando Abreu)
"E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói."
(Caio Fernando Abreu)
domingo, 9 de outubro de 2011
Esclarecimentos
Hoje tantas coisas vieram à mente e aos olhos.... o choro veio sem motivo e eu não soube o porque. Procurei reler nossas conversar e percebi como nos precipitamos em tantas coisas. Versos cheios de sentimento por um lado e silêncios do outro.
Me peguei pensando no que fiz a você. Se te magoei. Se te iludi. Não obtive respostas...
Tem coisas que não posso reparar. Hoje você é outra pessoa, em outro momento e eu continuo aqui. Diferente. (até que ponto?)
Sei que quando nos vimos pela ultima vez, a vez que você esperava que fosse um começo, eu fiz com que fosse um fim.
Não me arrependo do que foi. Conheci o meu oposto, alguém que sabe que o mundo é não é cor de rosa, mas que não perdeu a ternura. Que me mostrou algo que eu já havia me esquecido, ou forçado a esquecer, que é o carinho, a vontade de estar junto.
Fomos, mas poderíamos nos tornar um somos?
Sei que te magoei e isso me incomoda. Mas preferi magoar enquanto ainda não era algo definido, apenas uma experiencia, um "vamos ver onde vai dar", do que algo mais sério. Os danos seriam maiores.
Nunca te expliquei isso e também não sei se consigo... Mas saiba que o carinho foi mutuo. E ainda é. Mas o momento não era o certo. Não era pra ser. (logo eu que não acredito em destino falando isso...)
Espero que você entenda....
(texto escrito há alguns meses, que resolvi publicar, por saber que agora você está bem.)
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.
(Pablo Neruda)
terça-feira, 26 de julho de 2011
Apesar de não ser poetisa....
[...]
É ter fome, é ter sede de infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda gente!
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior - Florbela Espanca
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