terça-feira, 17 de agosto de 2010

Prosa Patética

"...
Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão,
expulsar de mim essa Nossa senhora ciumenta.
Madona sedenta de versos. mas tive medo.
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito
Ausência de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
E me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silencio.
Tive medo de perder o estado de verso e vácuo
Onde tudo é grave e unico. e me mantive quieta e muda
..."

Viviane Mosé...


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Time After Time...

Ele está em tudo, em todos, no mais intimo de cada um de nós. Tirou meu chão, passou sem pedir licença, me atropelou e nem pediu desculpas.
Ele foi uma transa de uma noite só que durou 19 anos. Foi um momento de grande prazer que logo acabou... foi embora pela porta da frente e eu soube, desde o inicio, que seria assim.
Ele foi cruel comigo mas tambem foi muito bom...Me deu grandes amizades que foram ficando só na memória simplesmente porque ele quis assim. Separou amigas que eram quase irmãs, um grupo que conviveu todos os dias por 3 anos.
Uma amiga, a primeira delas, pelo emprego do pai, pelo bem da familia. Ele fez tudo isso antes que qualquer lembrança ruim tomasse lugar...
É simples compreende-lo... Ele coloca pessoas no nosso caminho que sempre acrescentam algo mesmo quando isso nos traz dor. Ele é sábio, não podemos negar. As vezes ele nos mostra logo o caminho e nossa dor é reduzida. Outra ele nos faz quebrar a cara primeiro, antes de dar qualquer sinal, qualquer aviso. Mas quando ele resolve abrir o jogo, ele vai te usar e novamente não pedirá desculpas... muito pelo contrario! Ele exigirá agradecimentos...
E quando ele tiver respeitado sua raiva, sua dor, você vai aceitar o que aconteceu e perdoa-lo... Afinal ele sabe muito mais sobre você do que você mesmo.
Eu sei que isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde, mas ultimamente ele anda indeciso... Ele não sabe mais conviver com as pessoas, ele me pede para seguir com ele, sozinhos, mas existem pessoas das quais eu não posso e, principalmente não quero me separar! Acho que meu tempo está na adolescencia. Anda meio perdido, tentando se entender, se descobrir, se enxergar...
Enquanto isso eu espero, gastando o tempo que o tempo me deu...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Como?


É incrível como voltar para casa muda a cada vez... todas as vezes que eu volto pra casa dos meus pais tudo está igual e ao mesmo tempo um caos que eu não reconheço! Não sei se sou eu que passei a ver o mundo de outros ângulos ou se as coisas passaram a se mostras de outras formas. Ainda não entendi isso... Mas além disso existem muitas outras coisas que eu também não entendo.
Segundo as pessoas que me conhecem a alguns anos eu não sou a mesma. Cada vez eu estou mais distante, mais auto-centrada. Mais virada pra dentro. Ouvir isso de alguém que amo mais que tudo nessa vida doeu. E como...
Tentei pensar em como explicar o que eu vejo, o meu ponto de vista, o que o meu olhar sobre o mundo e sobre eu mesma revela, mas parece impossível explicar algo assim. É algo que apenas é e nada mais. "Ser ou não ser, eis a questão". É simplesmente isso. A vida não da muitas explicações dos seus motivos ou conseqüências, mas ela exige de você justificativas para coisas que não podem sem justificadas, explicadas, muito menos compreendidas.
Nenhum obstáculo que é posto em nosso caminho é grande demais pra nós. Mas mesmo assim. Certos muros parecem tão altos que fica difícil não pensar "e se eu cair?". Existem planos para a minha vida que foram impostos, outros eu tracei. Mas mesmo assim, é difícil lidar com tudo. O mundo pareceu desabar sobre mim e eu simplesmente não pude deixar de pensar o outro lado... Quando vivemos e planejamos temos o hábito de pensar no como será maravilhoso se o que desejamos se tornar realidade. Mas eu sempre me forço a pensar no outro lado, o pior. Qual é a pior coisa que pode acontecer?
Ao ouvir da minha mãe que eu não estava carinhosa, que eu estava muito distante deles me cortou o coração. Nunca foi essa a minha intenção, mas é algo além. Simplesmente é. No dia a dia eu não tenho oportunidade de sentar e olhar pra dentro. De parar e me olhar; analisar as rugas, as linhas, a mudança. Eu não percebo o quanto eu mudei. Para mim o mundo está rodando de forma diferente, não eu que vejo as coisas de outra forma.
Ao retornar a minha rotina eu percebo que eu parei mas o tempo não. Eu parei por três semanas vivendo em um mundinho paralelo só meu, tentando entender o porque das coisas, planejando (ou pelo menos fingindo que sim) coisas que não podem ser planejadas. Tentando organizar, entender coisas que simplesmente são.
Espero um dia que ela entenda o que tudo isso significa. Espero que um dia eu tenha capacidade de explicar para ela, caso um dia eu tenha condições de entender....