domingo, 27 de novembro de 2011

Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

(caio fernando abreu)

sábado, 29 de outubro de 2011

Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto." (Caio Fernando Abreu)

"E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói."
(Caio Fernando Abreu)

domingo, 9 de outubro de 2011

Esclarecimentos

Hoje tantas coisas vieram à mente e aos olhos.... o choro veio sem motivo e eu não soube o porque. Procurei reler nossas conversar e percebi como nos precipitamos em tantas coisas. Versos cheios de sentimento por um lado e silêncios do outro.
Me peguei pensando no que fiz a você. Se te magoei. Se te iludi. Não obtive respostas...
Tem coisas que não posso reparar. Hoje você é outra pessoa, em outro momento e eu continuo aqui. Diferente. (até que ponto?)
Sei que quando nos vimos pela ultima vez, a vez que você esperava que fosse um começo, eu fiz com que fosse um fim.
Não me arrependo do que foi. Conheci o meu oposto, alguém que sabe que o mundo é não é cor de rosa, mas que não perdeu a ternura. Que me mostrou algo que eu já havia me esquecido, ou forçado a esquecer, que é o carinho, a vontade de estar junto.
Fomos, mas poderíamos nos tornar um somos?
Sei que te magoei e isso me incomoda. Mas preferi magoar enquanto ainda não era algo definido, apenas uma experiencia, um "vamos ver onde vai dar", do que algo mais sério. Os danos seriam maiores.
Nunca te expliquei isso e também não sei se consigo... Mas saiba que o carinho foi mutuo. E ainda é. Mas o momento não era o certo. Não era pra ser. (logo eu que não acredito em destino falando isso...)
Espero que você entenda....




(texto escrito há alguns meses, que resolvi publicar, por saber que agora você está bem.)


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

(Pablo Neruda)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Apesar de não ser poetisa....


[...]


É ter fome, é ter sede de infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

é condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda gente!

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior - Florbela Espanca


Não tinha mais um dia a perder, pois embora fosse muito cedo, começou a suspeitar que era também desesperadamente tarde demais.
Caio F.







quarta-feira, 13 de julho de 2011

Desde então, tenho uns agostos por dentro, umas febres. Uma tristeza que nada nem ninguem conserta. É assim que se começa a partir?

Agostos por dentro em Pequenas epifanias - Caio F.

domingo, 10 de julho de 2011

A vida grita. E a luta, continua.
(ultima carta para além dos muros in pequenas epifanias - Caio Fernando)

terça-feira, 21 de junho de 2011



Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!


Fernando Pessoa

domingo, 12 de junho de 2011

Inventámos uma espécie de pele grossa que nos defende dessa agressão da realidade, que nos levaria a assumi-la, a percebermos o que se está a passar e a fazer o que finalmente se espera de um cidadão, que é a intervenção.

-- Saramago --
"....
Preciso da minha personalidade, do meu eu que grita em opiniões e liberdade de escolha. Não quero me sentir subjugada por pensar da forma que penso e por viver do jeito que escolhi viver. Se tenho sonhos ou não, se tenho objetivos na vida ou esqueci de planejar, o problema é só meu.

Não costumo julgar ninguém, assim como não aceito ser julgada. Tenho plena consciência dos meus atos impensados, das minhas atitudes tardias, do meu exagero emocional. Sou impulsiva e quase sempre me arrependo pelos estragos que isto provoca em mim.

Eu sei também que poderia ser uma mãe ou uma filha bem melhor do que sou.

Poderia estudar mais ou praticar mais exercícios físicos, cuidar melhor de mim e dos que me cercam.

Eu poderia tantas coisas, mas estou dançando conforme as minhas cicatrizes me ensinaram."

--autor não anotado... mas creio que é da Rita Apoena --

quarta-feira, 1 de junho de 2011

como tá difícil achar uma palavra que sirva...

domingo, 22 de maio de 2011

Nunca fui de ter inveja, mas de uns tempos pra cá tenho tido.
as maos dadas dos amantes tem me tirado o sono.
ontem, desejei com toda força ser a moça do supermercado.
aquela que fala do namorado com tanta ternura.
mesmo das brigas ando tendo inveja.
meu vizinho gritando com a mulher, na casa cheia de crianças,
sempre querendo, querendo.
me disseram que solidao é sina e é pra sempre.
confesso que gosto do espaço de ser sozinho.
essa extensao, largura, páramo, planura, planicie, regiao.
no entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança
do halito quente do outro. a voz, o viço
hoje andei como louca, quis gritar com a solidao,
expulsar de mim essa Nossa senhora ciumenta.
madona sedenta de versos. mas tive medo.
medo de que ao sair levasse a imensidao onde me deito
ausencia de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
e me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silencio.
tive medo de perder o estado de verso e vacuo
onde tudo é grave e unico. e me mantive quieta e muda
e mais do que nunca tive inveja.
invejei quem tem vida reta, quem nao é poeta
nem pensa essas coisas. quem simplesmente ama e é amado.
e lê jornal domingo. come pudim de leite e doce de abobora
a mulher que engravida porque gosta de criança
pra mim tudo encerra a gravidade prolixa das palavras: madrugada
mae, onibus, olhos, desabrocham em camadas de sentido.
e ressoam como gongos ou sinos de igreja em meus ouvidos
escoro entre palavras, como quem navega um barco sem remo.
um fluxo de liquidos. um concavo silencio
clarice diz, que sua funçao é cuidar do mundo
e eu, que nao sou clarice nem nada, fui mal forjada
nem tenho bons modos nem berço.
que escrevo num tempo onde tudo ja foi falado, cantado, escrito.
o que o silencio pode me dizer que ja nao tenha sido dito?
eu, cuja unica funçao é lavar palavra suja
nesse fim de seculo sem certeza?
eu quero que a solidao me esqueça

Viviane Mosé...

domingo, 1 de maio de 2011

.... Sim senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, sao espumas, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites em meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que lhe obedeceu... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que se lhes foi agregado de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor desabrochada... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficara arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

(A Palavra In Confesso que Vivi - Pablo Neruda)

quinta-feira, 31 de março de 2011

A quem melhor fingiu sua alegria, e hoje compartilha conosco sua tristeza....

Hoje é um dia muito complicado: uma amiga não está bem, mesmo. E foi ela quem me deu colo nos meus meses nos EUA. A pessoa mais amável, mais solidária, mais carinhosa, mais altruísta que eu conheci, não aguentou sua própria tristeza.

Uma homenagem a minha querida Bethany... que você aprenda a compartilhar também as tristezas, para que possamos compartilhar muitas alegrias juntas.

Miss u, Sweety!



"Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo?" (Clarisse Lispector)




terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Diário 5

Só algumas observações:

#1: MINHA CAMERA CHEGOUU!! ELA É LIINDA!

#2: Meninas vindo me visitar dia 30!! =DD Gabi e Tai, tô ansiosa! Cheguem loogo!

#3: Descobri The Script e to viciada nas musicas deles...

#4: DIA 26 a Sybille chega!!!! =DD eeeee

#5 DIA 27 TEM SHOW DO TOKYO POLICE CLUB!

nada mais... heheh


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Diário 4

Olá minha gente!!
A pessoa aqui desaprendeu a falar português. Tá difícil de lembrar de palavrinhas básicas... tipo o que significa day off...

As coisas aqui estão bem...No post anterior eu tava puta da vida porque ia trabalhar no Natal. Resumindo, ao invés de 12h trabalhei só 10h porque tive uma crise nervosa no meio da loja de tão cansada que tava. (detalhe, trabalhei 10h todos os dias por 1 semana, com aquelas crianças FDP! e uma mulher que dava 3 de mim gritando comigo). O que salvou meu dia, minha semana e meu Natal foi a ceia na casa das meninas, (Ro! Brigadão, linda!) que o Gui e Karen prepararam e a gente mando vê. hehe A ceia teve direito a gringo infiltrado, a TEQUIIILA! e a Cupid Shuffle.
Maaaas, tenho uma má noticia, minha camera, fiel companheira a 5 anos, morreu. Chegou realmente a hora dela... Mas eu fiquei muito triste...

No ano novo eu trabalhei um pouco menos, mas foi muito estranho ver a minha loja calma, principalmente depois dela ter virado a 25 de março no meio da Disney.
Ano Novo deu muita coisa errada, mas acabo eu e a Vanessa, minha rommie, indo pro Hollywood Studios e ficando lá até as tantas da manhã e eu acordando cedo p ir trabalhar (Obs: Odeio a Vanessa e seus turnos que começam só as 16h).

Depois de uma merda de dia primeiro (tava com sono, a loja tava uma merda e eu pela primeira vez não tava de ressaca no dia primeiro - o que meio que quebrou o clima de ano novo) resolvi me dar um presente: fui na Ghirardelli e comi um sorvete IMENSO! Demorei uma hora pra conseguir comer tudo de tão grande que era. Mas só tem uma definição pra ele: um pedaço do paraíso.

Depois da minha ceia de Natal deliiicia, da Ghirardelli, resolvi que a minha primeira semana seria de gordisses: teve direito a brigadeiro e ao macarrão (DELIICIIA #2) da Wolfgang Puck.
Só não deu pra comer mais porque afinal de contas eu só ganho 7,25/h e preciso trabalhar 3 dias por semana pra pagar meu aluguel e essas taxas absurdas que eles cobram do meu salário. =/

Uma das coisas que tá me dando muita alegria são as meninas aqui de casa. A Vanessa que traz aqueles bolinhos DELICIA do trabalho dela... (gordisse que pelo amor de Deus) e as minhas rommies over 21 que são duas lindas! Acabaram de sair pro Walgreens a 1 da manhã pra comprar cerveja. (amoo ter rommies over!)

Finalmente eu to me acostumando com esse lugar. Acho que parar de ficar doente foi um favor decisivo na minha vida. Mas eu ainda acho essa comida americana uma merda... (Não toda ela... cookies - né Amanda!?, Ghirardelli e WP salvam...)

beijos a todos...

e um FELIZ ANO NOVO! Hiiiper atrasado. (ao som de Ozzy... me preparando para o show!!!)