domingo, 27 de junho de 2010

Sabe quando vc precisa falar de tudo, escrever, por pra fora?
Sabe quando o mundo vira poesia, mesmo um cigarro ao som de Frank Sinatra te dá vontade de sair e gritar ao mundo algo que nem você consegue identificar?
Sabe quando você precisa de amor, não só daquele amor, mas de todos ao mesmo tempo?
Sabe quando só juntar todas as pessoas que você ama em uma sala e olhar a todos, de longe, só vendo seus sorrisos, seus olhares, já te dá um calor por dentro? Acho eu que é felicidade....
Sabe quando você precisa de um colo e encontra ele na pessoa nunca imaginou?
Sabe quando seu melhor amigo te liga do nada só pra falar que precisava ouvir sua voz?
Sabe quando você tem tudo para gritar "eu desisto!" e algo te dá aquele empurrão que faz você continuar?
Sabe quando você vai no mesmo lugar todos os dias só para olhar aquele alguem com quem você sonha em simplesmente abraçar?

Sabe quando você precisa escrever, gritar, falar de tudo e nada ao mesmo tempo?
Então você sabe o que é ser eu, hoje, só hoje, só agora...
Assim como a liberdade, felicidade é algo que nós sabemos o que é, mas é impossivel descrever.. É algo que nos toma do nada e vai embora ainda mais rápido... Não é falta de amor, de sexo, de amizades, de afazeres, nem o ócio. Mas o que falta afinal? É algo indefinivel... pois é volátil. É lembrar uma tarde chuvosa na cozinha fazendo crustoli com meus pais... Dançando suja de tinta na sala de tv com um amigo... É aquela conversa na cozinha enquanto prepara o almoço tomando uma taça de vinho... É a tarde "desperdiçada" com as amigas vendo Crepusculo e comendo bolinho de chuva com brigadeiro...
É tudo isso e muito mais...
Meu ultimo momento de felicidade foi as 2 da manha de uma segunda feira, tomando cerveja no sofá da casa de um amigo escutando LPs... especialmente naquela musica Ponta de Areia... Não sei se foi saudades, tristeza ou felicidade, afinal em certos momentos são tão parecidos... Lembrar do dia dos pais na chácara, tomando café da manhã, com esse lp ao fundo...
A felicidade muda por isso é dificil de identificar quando ela chega... pode ser num orgasmo, numa dança, num livro, numa musica, no toque do telefone...
Ainda não aprendi a identificá-la... só sei que ela está aqui em algum lugar... As vezes me afasto dela, como se ansiasse por algo mais, como se ela ja nao me preenchesse mais. Dá vontade de crescer... De ocupar todos os espaços, todos os cantos, aparar todas as arestas...
Mas ela é como um amigo e em algum momento me inquieto, sinto como se algo me chamasse, me atraisse como um ímã.
E a reencontro e a abraço e aquele sorriso tonto surge em meus lábios e as pessoas perguntam
"Que foi?"
E eu simplesmente respondo:
"Nada de mais... Ela voltou, só isso..."




(Toledo - MG ... um refugio no meio do nada, onde me
perco e me acho... me des-re-construo...)


sábado, 19 de junho de 2010

Eterno...

Quanta saudades sentirei dos seus pensamentos, tão pequenos em certos momentos, mas sempre tão completos...

Esta palavra esperança, com maiúscula ou sem ela, o melhor é riscá-la do nosso vocabulário. Só os exilados e os desterrados que se conformaram com o desterro e o exílio a devem usar, à falta de melhor. Dá-lhes consolo e alívio. Os não conformados têm outra palavra mais enérgica: vontade.


(José Saramago “Esta palavra esperança”, in Deste Mundo e do Outro,
Editorial Caminho, 7.ª ed., P. 153(Selecção de Diego Mesa)